MEI para videomaker e fotógrafo em 2026: pode? Qual CNAE usar?
Fotógrafo tem ocupação certa no MEI. Videomaker também, mas só dentro de um recorte específico: filmagem de festas e eventos. Fora disso o CNAE muda de time, e o MEI não serve mais.
Fotógrafo pode ser MEI: a ocupação "Fotógrafo(a) Independente" está na lista oficial, CNAE 7420-0/01. Videomaker também pode, mas só dentro de um recorte específico: a ocupação "Filmador(a) Independente", CNAE 7420-0/04, cobre filmagem de festas e eventos (casamento, aniversário, formatura, evento corporativo).
Vídeo institucional, publicitário ou produtora audiovisual em geral não têm ocupação equivalente no MEI. Pra esses casos, o caminho é abrir como ME no Simples Nacional.
Fotógrafo pode ser MEI
Pode, sem rodeio. O Anexo XI da Resolução CGSN nº 140/2018, que é a lista oficial de ocupações permitidas ao MEI, traz "Fotógrafo(a) Independente" com o CNAE 7420-0/01 ("Atividades de produção de fotografias, exceto aérea e submarina"). Cobre casamento, ensaio, evento, still de produto, retrato: o que for, desde que você trabalhe por conta própria.
A mesma lista separa duas variações. "Fotógrafo(a) Aéreo Independente" e "Fotógrafo(a) Submarino Independente" caem as duas no CNAE 7420-0/02, e quem revela filme tem ocupação própria: "Revelador(a) Fotográfico Independente", CNAE 7420-0/03. Se você faz drone além de foto no chão, dá pra registrar mais de uma ocupação no mesmo MEI.
Videomaker pode ser MEI? A pegadinha do CNAE
Aqui a resposta tem um "depende" que muda o jogo. A ocupação que existe na lista se chama "Filmador(a) Independente", CNAE 7420-0/04, e a descrição oficial é uma frase só: "Filmagem de festas e eventos". Casamento, aniversário, formatura, evento corporativo: cabe.
O problema é o que fica fora desse recorte. Vídeo institucional pra empresa, filme publicitário, conteúdo de marca, documentário, qualquer coisa que você chamaria de "produção audiovisual" num sentido mais largo, cai no CNAE 5911-1/99 ("Atividades de produção cinematográfica, de vídeos e de programas de televisão não especificadas anteriormente"). Esse CNAE não está no Anexo XI. Não existe ocupação de MEI pra ele.
Na prática: um videomaker que só filma casamento e festa pode abrir MEI hoje, com o CNAE certo. Um videomaker que faz vídeo institucional, ou que mistura evento com trabalho pra empresa, não cabe no MEI nessa segunda frente. Declarar tudo como "Filmador(a) Independente" pra faturar vídeo institucional é registrar uma atividade que não é a que você exerce de verdade.
CNAEs e ocupações: o que cabe no MEI
| Ocupação (Anexo XI) | CNAE | O que cobre | Cabe no MEI? |
|---|---|---|---|
| Fotógrafo(a) Independente | 7420-0/01 | Fotografia em geral: evento, retrato, produto, ensaio | Sim |
| Fotógrafo(a) Aéreo/Submarino Independente | 7420-0/02 | Fotografia aérea ou submarina | Sim |
| Revelador(a) Fotográfico Independente | 7420-0/03 | Laboratório fotográfico | Sim |
| Filmador(a) Independente | 7420-0/04 | Filmagem de festas e eventos (casamento, aniversário, formatura) | Sim |
| Editor(a) de Vídeo Independente | 5912-0/99 | Pós-produção, edição e finalização de vídeo | Sim |
| Nenhuma ocupação equivalente | 5911-1/99 | Produção de vídeo institucional, publicitário, produtora audiovisual em geral | Não |
Um detalhe que resolve boa parte das buscas por "cinegrafista": esse nome não aparece em nenhuma linha da lista oficial. Quem filma festa ou evento entra pela ocupação "Filmador(a) Independente": é o mercado que chama isso de cinegrafista, não a Receita.
Como abrir o MEI como fotógrafo ou filmador
- Entre no Portal do Empreendedor (gov.br) e escolha "Quero ser MEI" → "Formalize-se". A abertura é gratuita: não há taxa de registro nem de emissão de CNPJ.
- Procure pelo nome da ocupação, não pelo CNAE. Digite "Fotógrafo(a) Independente" ou "Filmador(a) Independente" no campo de atividade. O sistema converte pro CNAE certo sozinho.
- Registre mais de uma ocupação se fizer sentido. Quem entrega foto e filmagem de festa no mesmo pacote pode ter as duas no mesmo MEI, dentro do limite de atividades secundárias do sistema.
- Confirme os dados e emita o CCMEI. É o Certificado da Condição de Microempreendedor Individual, e faz as vezes do seu CNPJ. Sai na hora.
Quanto custa: limite de faturamento e DAS em 2026
Em 2026, o MEI pode faturar até R$ 81.000 por ano. Não existe um teto mensal fixo, mas R$ 6.750 por mês costuma servir como referência de controle. Quem formaliza no meio do ano tem o limite proporcional aos meses que restam.
Passar até 20% do teto (até R$ 97.200) não tira você do MEI na hora: você paga a diferença de imposto sobre o excedente e só vira ME no ano seguinte. Passar mais que isso desenquadra imediatamente, com efeito retroativo ao início do ano.
O boleto mensal, o DAS, de quem presta serviço (caso de fotógrafo e filmador) soma R$ 81,05 de INSS (5% do salário mínimo de 2026, que é R$ 1.621) mais R$ 5,00 de ISS: R$ 86,05 por mês, tenha você faturado ou não.
Precisa emitir nota fiscal?
Depende de quem compra. Pra outra empresa ou pro governo, sim, sempre, do tamanho que for o cliente. Pra pessoa física, a nota só é obrigatória quando o cliente pede (é direito dele pelo Código de Defesa do Consumidor) ou quando você precisa enviar o material, por exemplo numa venda ou entrega feita pela internet.
Casamento, aniversário, ensaio de família: geralmente é pessoa física, e a nota vira combinado com o cliente. Vídeo institucional, evento corporativo, imagem pra loja: quase sempre pessoa jurídica, e aí a nota é obrigação, não favor.
Quando o MEI não serve mais: ME e o Fator R
Se a sua produção audiovisual caiu no CNAE que fica de fora do MEI (5911-1/99), ou se o faturamento passou do teto, o caminho seguinte é abrir como ME (microempresa) optante pelo Simples Nacional.
Como empresa de serviço, a alíquota inicial depende da relação entre a sua folha de pagamento e o faturamento dos últimos 12 meses: o chamado Fator R. Bateu 28% ou mais, a tributação entra pelo Anexo III, que começa em 6%. Ficou abaixo disso, cai no Anexo V, que começa em 15,5%. Esses dois números estão na Lei Complementar 123/2006, art. 18; qual CNAE responde a qual regra dentro da lei é conta de contador, porque cada atividade tem seu próprio artigo de enquadramento.
Este texto é informativo e não substitui a orientação de um contador.
Como o CLAP ajuda a organizar isso
O CLAP não abre MEI nem faz a sua contabilidade: isso é trabalho de contador. O que ele faz é guardar o regime tributário e a alíquota que você configurou e usar esse número pra entrar automático no orçamento, junto com equipe, equipamento e diárias. Você monta o orçamento, ele soma tudo certo e gera a proposta que o cliente aprova direto por um link. O financeiro separa o que está a receber do que está a pagar, e a agenda e os contatos ficam no mesmo lugar, sem depender de planilha.
Perguntas frequentes
Fotógrafo pode ser MEI?
Pode. A ocupação 'Fotógrafo(a) Independente' está na lista oficial do MEI (Anexo XI da Resolução CGSN nº 140/2018), no CNAE 7420-0/01. Fotografia aérea, submarina e revelação fotográfica também têm ocupação própria na mesma lista.
Videomaker pode ser MEI?
Só dentro de um recorte. A ocupação 'Filmador(a) Independente' (CNAE 7420-0/04) cobre filmagem de festas e eventos, como casamento, aniversário e formatura. Vídeo institucional, publicitário ou produção audiovisual em geral não têm ocupação equivalente na lista, e por isso não cabem no MEI.
Existe CNAE de cinegrafista no MEI?
Não com esse nome. A lista oficial não usa a palavra 'cinegrafista': quem filma festa ou evento entra pela ocupação 'Filmador(a) Independente'. Fora do recorte de festas e eventos, não existe CNAE de MEI para filmagem.
Qual o limite de faturamento do MEI em 2026?
R$ 81.000 por ano, sem teto mensal fixo (a referência de controle costuma ser R$ 6.750 por mês). Passar até 20% do teto ainda permite seguir como MEI até o fim do ano pagando a diferença; passar mais que isso desenquadra na hora, com efeito retroativo.
Preciso emitir nota fiscal sendo MEI?
Para empresa ou governo, sim, sempre. Para pessoa física, só quando o cliente pede ou quando você precisa enviar o material, por exemplo numa venda ou entrega pela internet.
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Fontes
Anexo XI da Resolução CGSN nº 140/2018 — Ocupações Permitidas ao MEI (Receita Federal)
Teto do MEI — Portal Gov.br (Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte)
MEI – atualização de valores devidos em 2026 — Receita Federal
Nota Fiscal — Portal do Empreendedor (Gov.br)
Quero ser MEI — Portal do Empreendedor (Gov.br)
Lei Complementar nº 123/2006, art. 18 (Simples Nacional — Fator R e Anexos III/V) — Planalto


